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Projetos de pesquisa

Atualizado em 22/02/18 19:53.

Do fantástico aos fantásticos: facetas do insólito na contemporaneidade

Coordenador: Alexander Meireles da Silva

 

Horror, Fantasia, Gótico, Fantástico, Ficção Científica, Realismo Mágico, Realismo Maravilhoso, Real Maravilhoso, Weird, Neofantástico, New Weird, Interstitial Fiction , Slipstream... A multiplicidade de narrativas vinculadas ao insólito ao longo dos séculos, sempre em alinhamento crítico com seu zeitgeist atesta a colocação de Jorge Luis Borges em â??El arte narrativo y la magiaâ?? (1932) de que o fantástico é um elemento presente no imaginário humano desde o alvorecer da Literatura. Mas o que seria esse â??fantásticoâ?? mencionado pelo escritor argentino? Ou será que na verdade teríamos â??fantásticos? a serem entendidos? Como estas histórias se constituem? Quais são os seus limites estéticos? Como a cultura brasileira interfere na manifestação do fantástico em nossa letras nacionais? As limitadas e/ou conflitantes respostas oferecidas por diferentes teóricos e escritores sobre o termo desde o século dezenove demonstram que esta expressão artística, uma das expressivas atualmente dada sua presença também em outros meios como o Cinema e os Quadrinhos, ainda necessita de estudos acadêmicos capazes de compreender suas particularidades dentro do campo dos gêneros literários, incluindo ai as transformações pelas quais a literatura fantástica vem sofrendo no ambiente finissecular do século vinte para o vinte e um, indo ao encontro dos debates vigetes na contemporaneidade É dentro deste quadro que o presente projeto de pesquisa se coloca, tendo como objetivo principal investigar as fronteiras literárias das vertentes do modo fantástico, entendidas como a Fantasia, o Gótico, a Ficção Científica e o Realismo Mágico, focando principalmente nas manifestações do fantástico a partir de fim do século dezenove, tais como Weird, Neofantástico, New Weird, Interstitial Fiction e Slipstream na sua expressão anglo-americana e brasileira, partindo da proposta de investigá-los como possíveis gêneros autônomos ou como conceitos que apresentam sinonímia entre eles.

 

Gêneros do discurso: multissemioses e multiletramentos: interfaces teórico-práticas  

Coordenadora: Anair Valênia Martins Dias

 

Este projeto de pesquisa de base qualitativa, teórica e prática, no campo dos estudos sobre os multiletramentos e as multissemioses, tem como cerne de suas investigações questões que consideram a circulação dos gêneros (cânones ou contemporâneos), bem como a sua constituição nas práticas sociais dos sujeitos. Frente à realidade que se apresenta na contemporaneidade, em que se observam mudanças nas mais diferentes esferas da vida, e tomando por referência a proposição do New London Group de que é na escola que os sujeitos têm a oportunidade de ampliar os seus conhecimentos, rompendo as barreiras impostas pelas diferenças e pela rapidez com que as mudanças se processam, uma reflexão e investigação sobre os gêneros discursivos, os multiletramentos e as multissemioses tornam-se relevantes. Como pressuposto teórico, tomam-se as perspectivas teóricas de Bakhtin (2003[1952-1953]; 1997) e de Bronckart (2003) para discutir sobre os gêneros discursivos; de Kalantzis; Cope (2006), (2003); MYERS, HAMMETT, McKILLOP (1998) e de Rojo (2009) para refletir sobre os multiletramentos; Turkle (1995) e Santaella (2013; 2007) para discutir sobre as multissemioses. Pretende-se, então, investigar os mais diversos gêneros que circulam socialmente na contemporaneidade, buscando entender as suas constituições multissemióticas. Além disso, pesquisar as formas de interação entre os sujeitos e os gêneros, os multiletramentos requeridos por eles, bem como as produções de sentidos efetivadas nos processos de recepção e de produção em ambiente escolar

 

Dispositivos de poder e práticas de subjetivação na atualidade

Coordenador: Antonio Fernandes Junior

 

Em muitas esferas sociais, deparamos com discursos (ou práticas discursivas), como no campo da música, por exemplo, que criticam, resistem e/ou contestam a lógica da produtividade voltada para a visibilidade e manutenção de alto status social. Esses discursos, ao mesmo tempo em que se caracterizam por tal resistência, materializam-se nos produtos que integram e/ou visam a integrar certa produtividade vislumbrando visibilidade social. Diante disso, este projeto tem como meta problematizar como determinados discursos e dispositivos de poder, opõe-se à lógica da produtividade, status e visibilidade social e atuam na produção de sujeitos na atualidade. Para tanto, pretendemos estudar a conexão entre o conceito de discurso e dispositivos de poder em Michel Foucault e sua articulação com Análise do Discurso a partir de enunciados de diferentes produções contemporâneas, tais como letras de músicas de alguns compositores de destaque (Arnaldo Antunes, André Abujamra, Itamar Assumpção, Zeca Baleiro, etc), peças publicitárias, vídeos do youtube, dentre outros que poderão aparecer ao longo da pesquisa. Para o cumprimento desta proposta, mobilizaremos conceitos da Análise do Discurso de Linha Francesa que tem com a obra de Michel Foucault um diálogo mais estreito. Em especial, rastrearemos na obra desse pensador os conceitos de enunciado, discurso, dispositivo e práticas de subjetivação, tendo em vista sua proficuidade com a Análise do Discurso.

 

Representações discursivas da infância na produção poética de Arnaldo Antunes e Manoel de Barros

Coordenador: Antonio Fernandes Junior

 

O foco deste projeto orienta-se para o estudo da articulação entre infância e poesia na obra de Arnaldo Antunes e Manoel de Barros. Pretendemos observar como a produção poética desses autores constrói uma ligação com o universo infantil, produzindo uma zona de vizinhança com a infância. Ao construir essa vizinhança, a poética desses autores aproximam-se de uma infância de mundo e de linguagem que não remete nem para a criança e nem para o adulto em particular, incorpora ambos ao mesmo tempo, em um processo de dupla captura. Por isso, Deleuze designa esse recurso como construção de uma zona de indiscernibilidade, que atravessa a escrita e o pensamento, instaurando um entre-lugar, sem ponto de partida ou de chegada. Trata-se de duas poéticas que acionam o devir-criança da/na linguagem poética, concebido como uma potência criadora da subjetividade. Assim, acreditamos que o devir-criança funciona como uma estratégia discursiva ligada à poética de ambos, capaz de aproximar o brincar da criança e o criar do artista, além de chamar a atenção do leitor para contemplar o mundo de forma desautomatizada e livre. Ao brincar com as palavras e com os suportes, os poetas citados constroem efeitos de estranheza e efeitos de simplicidade, buscando outras formas de repensar o mundo e a poesia. Como o conceito devir-criança não apresenta traços de imitação e nem incorporação, importa-nos ressaltar como se dá a aproximação entre os poemas de Antunes e Barros com o universo infantil.

 

Cartografias do Discurso: as práticas de confissão e os dispositivos nos discursos dos homens infames

Coordenador: Bruno Franceschini

Este projeto de pesquisa tem como proposta desenvolver o conceito de dispositivo tendo em vista o processo de constituição identitária de sujeitos marginalizados em situação de exclusão social por questões de raça, de gênero, sociais, por serem sujeitos com necessidades especiais, dentre outras formas de marginalização, por meio das práticas de confissão e da escrita de si na mídia e também por meio de entrevistas. Nos estudos empreendidos por Michel Foucault, uma das principais questões desenvolvidas refere-se ao sujeito, a como o homem é subjetivado, o processo pelo qual se torna sujeito por meio de discursos. Para tanto, este projeto tem por objetivo desenvolver o conceito de dispositivo no que diz respeito aos processos de subjetivação, considerando o binômio saber-poder. Observa-se que essa relação implica o funcionamento de práticas discursivas e, consequentemente, a produção e circulação de discursos, bem como a governamentalidade desses sujeitos em situação de exclusão por diferentes instituições. Por fim, este projeto procura apresentar contribuições aos estudos do discurso naquilo que diz respeito ao conceito de dispositivo, uma vez que este conceito é produto de ações e de relações e de níveis diversos, e mobiliza diferentes ordens e domínios discursivos, tendo em vista os processos de subjetivação dos sujeitos em situação de exclusão e as formas de resistência desses sujeitos nas instituições em que circulam.

 

Da margem ao centro: discursos sobre as minorias nas mídias sociais

Coordenadora: Erislane Rodrigues Ribeiro

 

Campanhas promovidas por organizações e associações em defesa dos direitos de pessoas marginalizadas, datas comemorativas que homenageiam sujeitos à margem do seio social, além de outros acontecimentos, costumam suscitar a escrita de muitos textos que se tornam públicos graças à mídia, incluindo as mídias sociais. Tais textos se constituem uma rica materialidade onde podem ser identificados e analisados, com base em fundamentos teóricos desenvolvidos pelos estudos do discurso, notadamente pela AD e pela ADD, discursos vários, uns contrários à exclusão de certos sujeitos e outros favoráveis a ela. Neste sentido, com este projeto de pesquisa, pretende-se desenvolver e orientar estudos com o objetivo de identificar, em gêneros discursivos do Facebook, do Youtube, do Twitter, dentre outras mídias sociais, os discursos correntes sobre a mulher, o homossexual, o negro, a pessoa com deficiência e outros sujeitos marginalizados socialmente, visando analisá-los e caracterizá-los.

 

Estudos do discurso: dispositivos teóricos e práticas de análise

Coordenadora: Erislane Rodrigues Ribeiro

 

Com a participação de pesquisadores, alunos graduandos (bolsistas e voluntários) dos Cursos de Letras Português e Português e Inglês da Unidade Acadêmica Especial de Letras e Linguística da RC/UFG, este projeto tem o propósito de investigar as bases teórico-metodológicas da Análise do discurso de linha francesa (AD) (derivada das pesquisas de Michel Pêcheux, Michel Foucault e Mikhail Bakhtin) e da Filosofia da linguagem do Círculo de Bakhtin, procurando aplicar seus conceitos e categorias no exame de distintas materialidades.

 

Potencialidades teóricas do Círculo de Bakhtin para análise de discursos verbovocovisuais

Coordenadora: Grenissa Bonvino Staffuzza

 

A obra do Círculo de Bakhtin tem como contribuição primordial, não apenas para a filosofia da linguagem, mas para as áreas das ciências humanas em geral, a reflexão sobre a natureza dialógica da linguagem. Isso significa dizer que ao considerar o outro como instância de interação verbal, social e ideológica em uma dinâmica de embates, conflitos e contradições, para e na constituição do sujeito dialógico, o pensamento do Círculo estabelece uma abertura na tradição do campo da História das Ideias de como se pensar o sujeito e sua relação com a sociedade. Distante da perspectiva positivista de várias correntes da linguística do século XIX que compreendem a comunicação como um processo linear e passivo entre as funções de locutor? e ouvinte (ou receptor), a comunicação verbal pensada pelo Círculo russo mostra-se um processo bastante complexo entre falantes, situado em um dado tempo e espaço, marcadamente social. Em relação à materialidade, especialmente os escritos de Bakhtin, Medviédev e Volochínov apontam que a comunicação verbal, realizada por meio da fala e da escrita, apresenta-se constituída pelas instâncias verbal, visual e vocal, sendo possível o estudo da voz, da entonação, da gestualidade, da imagem etc. O termo verbovocovisual tem sua origem na literatura de James Joyce, em Finnegans Wake (verbivocovisual; JOYCE, 1975, p.458), tendo sido apropriado pela poesia concreta nos anos 50 do século XX, por Décio Pignatari e os irmãos Campos. Ao extrair o verbivocovisual da literatura joyciana, a poesia concreta ganha consciência do movimento de linguagem que se desenvolve nas esferas verbal, vocal e visual tanto na literatura, na recepção crítica e teórica, como nas performances dos poetas, músicos e artistas que dela participavam. Pignatari (1987/2005, p.21) ao explicar a noção de ritmo entende que é um ícone que resulta da divisão e distribuição no tempo e no espaço (...) de elementos ou eventos verbovocovisuais (...)". Nesse caso, podemos pensar a verbovocovisualidade como abordagem de análise da poesia que surge a partir de um profícuo debate teórico e experimental entre poetas, músicos, artistas e estudiosos dos campos da música, das artes plásticas e da literatura. Nos estudos de análise de discursos de corrente bakhtiniana, que nos interessa aqui, apesar de Bakhtin e seu círculo não tratarem de verbovocovisualidade, nem de discursos verbovocovisuais em termos, seus escritos trazem importantes contribuições para entendermos o verbovocovisual como um procedimento de análise discursiva, uma vez que o discurso tomado como objeto de análise se constitui e se realiza por elementos verbais, vocais e visuais, sendo a obra do Círculo suporte para análises. Logo, a justificativa deste estudo se efetiva na medida em que nos propomos a explicitar as potencialidades teóricas da filosofia da linguagem do Círculo de Bakhtin para o estudo de discursos verbovocovisuais (cinematográfico, midiático, humorístico, publicitário etc.) contemporâneos. Constata-se que as pesquisas de discursos de vertente bakhtiniana dão conta do trabalho com o verbal na medida em que o verbal é bastante explícito e recorrente na obra do Círculo bakhtiniano. A emergência encontra-se em estudar de que forma o verbal aparece no pensamento do Círculo russo de modo relacionado a outras formas linguageiras como o gestual, a imagem, a entonação, a voz, o eco, a ressonância, a reverberação, a réplica, para citar alguns elementos que aparecem mencionados na obra do Círculo como imbricadas ao verbal e, para nós, salutar na e para a construção estética de todo e qualquer discurso. Nesse sentido, o presente estudo tem como intuito diagnosticar as recorrências teóricas nos/dos escritos do Círculo de Bakhtin (especialmente nos escritos de Bakhtin, Medviédev e Volochínov) que possibilitam a análise de discursos verbovocovisuais.